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Enredo na narrativa

Toda narrativa envolve um conflito central. É a trama, o fato a ser contado pelo narrador e que envolve as personagens.
No texto narrativo deve haver um enovelamento de ações, com base nesse conflito central que compõe o enredo. Todos os elementos da narrativa devem contribuir no conflito, de modo que nada possa ser dispensado.
Para que o enredo tenha unidade, é preciso que os fatos estejam relacionados de tal modo que encaminhe para o conflito, chegando ao clímax, o ponto culminante do texto, o ponto de maior tensão. Para criar essa expectativa crescente do desenrolar da ação é preciso criar no texto o suspense. Desde o início deve ser apresentada ao leitor uma situação conflitava que posteriormente seja explicada pelo narrador. Esse recurso prende a atenção do leitor.
Veja como se dá a relação personagem/enredo:

“Geralmente, da leitura de um romance fica a impressão duma série de fatos, organizados em enredo, e de personagens que vivem esses fatos. É uma impressão praticamente indissolúvel: quando pensamos no enredo, pensamos simultaneamente nas personagens; quando pensamos nestas, pensamos simultaneamente na vida em que se enredam, na linha de seu destino – traçada conforme uma certa duração temporal, referida a determinadas condições de ambiente. O enredo existe através das personagens; as personagens vivem no enredo. Enredo e personagem exprimem, ligados, os intuitos do romance, a visão da vida que decorre dele, os significados e valores que o animam”. (Candido, Antonio. A personagem de ficção. São Paulo: Perspectiva, 1987).

Narração - Tipos de narrador

Por: Aline Suelen

Quando você vai redigir uma história, a primeira decisão que deve tomar é se você vai ou não fazer parte da narrativa. Tanto é possível contar uma história que ocorreu com outras pessoas, ou narrar fatos acontecidos com você. Essa decisão determinará o tipo de narrador a ser utilizado em sua composição.
O narrador é o dono da voz ou, em outras palavras, a voz que nos conta os fatos e seu desenvolvimento. Dependendo da posição do narrador em relação ao fato narrado, a narrativa pode ser feita em primeira ou em terceira pessoa do singular.

Narrador personagem: é aquele que participa da ação, ou seja, que se inclui na narrativa. Sua visão de fatos é limitada. Pode ser o personagem principal ou alguém que presenciou os acontecimentos. A narração em primeira pessoa permite ao autor penetrar e desvendar com maior riqueza o mundo psicológico do personagem.  É importante observar que, nas narrações em primeira pessoa, nem tudo o que é afirmado pelo narrador corresponde à ‘verdade’, pois, como ele participa dos acontecimentos, tem uma visão própria, individual e, portanto, parcial delas. A principal característica desse foco narrativo é, então, a visão subjetiva que o narrador tem dos fatos: ele narra apenas o que vê, observa e sente, ou seja, os fatos passal pelo filtro de sua emoção e percepção.

Narrador observador: é aquele que não participa da ação, ou seja, não se inclui na narrativa. O narrador em terceira pessoa observa os fatos de fora da história e, podemos dizer que ele paira acima de tudo e de todos. Essa situação permite saber de tudo, do passado, do futuro, das emoções e dos pensamentos dos personagens.
O narrador é onisciente (que tem ciência de tudo, que sabe tudo). Ele lê os sentimentos, os desejos mais íntimos dos personagens (vê o que ninguém tem condições de ver: o mundo interior do personagem) e sabe qual será a repercussão desse ato no futuro. Esse tipo de narrador é neutro, relatando os fatos com objetividade.

Narração

          Por: Aline Suelen

          Narração é um relato centrado num fato ou num acontecimento; há personagens atuando e um narrador que relata a ação. É um tipo de texto marcado pela temporalidade, ou seja, como seu material é o fato e a ação que envolve personagens, a progressão temporal é essencial para o seu desenrolar: as ações direcionam-se para um conflito que requer uma solução, o que nos permite concluir que chagaremos a uma situação nova. Portanto, a sucessão de acontecimentos leva a uma transformação, a uma mudança, e a trama que se constrói com os elementos do conflito desenvolve-se necessariamente numa linha de tempo (passado ou presente) e num determinado espaço.
            Um texto narrativo se caracteriza pela sucessão de acontecimentos numa linha temporal. Contar para alguém como foi o nosso passeio, o que aconteceu com a gente e com outras pessoas, como as coisas terminaram caracteriza-se como um texto narrativo, mas distingue-se da narrativa ficcional por ser relato de fatos reais.
            A narrativa ficcional é fruto da imaginação criadora. Sempre mantendo pontos de contato com o real, recria a realidade, baseando-se nela ou dela se distanciando. Se os acontecimentos narrados e os personagens apresentados aproximam-se muito da realidade a ponto de nos confundir, falamos que a narrativa é verossímil (semelhante a verdade); se os acontecimentos e personagens se mostram absurdos, absolutamente improváveis, falamos que a narrativa é inverossímil (que não é semelhante a verdade; não parece verdadeiro).
            Uma narração estrutura-se sobre uma série de elementos fundamentais: enredo (fato que se vai narrar); tempo (quando o fato aconteceu); espaço/cenário/lugar (onde o fato ocorreu); personagem (quem participou da história); causa (motivo que determinou a ocorrência); modo (como se deu o fato); conseqüências.
            Para que a narração seja bem elaborada, não basta a presença dos elementos narrativos; é preciso que haja harmonia entre eles, ou seja, deve haver coerência entre o tempo da narração, o enredo, as atitudes e características da personagem. Ao narrar um crime, por exemplo, procure um cenário misterioso, personagens perturbadas e, se possível, escolha nomes que combinem com o enredo.

Descrição Estática e Dinâmica

Por: Aline Suelen

            O texto descritivo também pode ser classificado em estático e dinâmico. Na descrição estática é predominante à falta de movimento e na descrição dinâmica há na imagem transmitida marcas de movimento. É importante lembrar que nessa dinamicidade não há progressão temporal, são ações que ocorrem ao mesmo tempo; não se pode dizer que nos elementos de uma descrição dinâmica há ralações de anterioridade e posterioridade.
            Abaixo exemplificamos esses tipos de classificação: no primeiro exemplo, temos uma descrição dinâmica, a paisagem apresentada sugere movimentos; no segundo exemplo predomina a imobilidade.

“Brancas rochas, pelas encostas, alastravam a sólida nudez do seu ventre polido pelo vento e pelo sol; outras, vestidas de líquen e de silvados floridos, avançavam como proas de galeras enfeitadas; e, de entre as que se apinhavam nos cimos, algum casebre que para lá galgara, todo amachucado e torto, espreitava pelos postigos negros, sobre as desgrenhadas farripas de verdura, que o vento lhe semeara nas telhas. Por toda a parte a água sussurrante, a água fecundante… Espertos regatinhos fugiam, rindo com os seixos, de entre as patas da égua e do burro; grossos ribeiros açodados saltavam com fragor de pedra em pedra; fios diretos e luzidos como cordas de prata vibravam e faiscavam das alturas aos barrancos; e muita fonte, posta a beira de veredas, jorrava por uma bica, beneficamente, à espera dos homens e dos gados...”
(A cidade e as serras, Eça de Queiroz).

“A republica era muito no alto, sobre três andares, dominando uma grande extensão. Viam-se de cima as casas acavaladas uma pelas outras, formando ruas, contornando praças. (...) Mais para além pressentiam-se os arrabaldes pelo verdejar das árvores; ao fundo encadeavam-se cordilheiras, graduando planos esfumados de neblina.”
(Casa de Pensão, Aluisio Azevedo).

Descrição física e psicológica

Por: Aline Suelen

           Ao descrevermos personagens, podemos usar dois tipos de descrição: a física – que se ocupa com as características externas, como a altura, o pesa, cor da pele, cabelos, olhos, traços do rosto, idade; - e a psicológica – que se ocupa com o comportamento, a personalidade, o temperamento, o caráter.
            Na descrição física, o autor pode optar por fazê-la de forma objetiva ou subjetiva. Abaixo citamos duas descrições de personagens da literatura brasileira. A primeira, de Capitu, personagem de Machado de Assis, feita de forma objetiva e, a segunda, de Iracema, personagem de José de Alencar, descrita de forma subjetiva, marcada por comparações de caráter pessoal.

“Não podia tirar os olhos daquela criatura de quatorze anos, alta, forte e cheia, apertada em um vestido de chita meio desbotado. Os cabelos grossos, feitos em duas tranças, com as pontas atadas uma à outra, à moda do tempo, desciam-lhe pelas costas. Morena, olhos claros e grandes, nariz reto e comprido, tinha a boca fina e o queixo largo.”
(Dom Casmurro, Machado de Assis).
“Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe de palmeira. O favo da jati não era doce como o seu sorriso; nem a baunilha rescendia no bosque como seu hálito perfumado. Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas”.
(Iracema, José de Alencar).

            A descrição psicológica é sempre marcada por subjetividade. Citamos a seguir um exemplo de um conto de Edgar Allan Poe, em que o autor apresenta aspectos psicológicos de duas personagens.

“Ele um homem passional, estudioso e austero, já tendo a Arte por sua amada. Ela, uma jovem de rara beleza, cheia de encantos e alegria, plena de luz e sorrisos, travessa como uma gazela nova, afetuosa e cheia de amor à vida.”
(O retrato oval, Edgar Allan Poe).

Descrição

           Por: Aline Suelen

           Descrição é texto baseado na observação do interior ou exterior dos fatos, dos acontecimentos, dos objetos, das pessoas, dos sentimentos, etc. O autor, na descrição é como uma máquina fotográfica que usa a palavra para registrar o que pode ser imaginado pelo leitor.
            A descrição possibilita ao leitor criar em sua mente a imagem sensorial, o retrato daquilo que está sendo descrito. Descrever é “pintar com palavras”, fotografar com elas, destacar características e minúcias do objeto, que pode ser um ambiente, um ser animado ou inanimado, uma situação, um sentimento, enfim, qualquer elemento que seja apreensível pelos sentidos humanos. O texto descritivo é como uma fotografia pr meio das palavras. Uma descrição bem feita pode nos conduzir a lugares desconhecidos, fazer-nos sentir perfumes, “conhecer” pessoas.
            A descrição verbal trabalha com imagens, que são representadas por palavras devidamente organizadas em frases. Essas imagens podem ou não vir associadas a informações. Pode-se entender a descrição como um tipo de texto em que, por meio da enumeração de detalhes e da relação de informações, dados e características, vai-se construindo a imagem verbal daquilo que se pretende descrever.
Entretanto, uma descrição não se resume à enumeração; é necessário algo mais: o essencial é saber captar o traço distintivo, particular, o que diferencia aquele ser de todos os demais de sua espécie. No caso de pessoas, é fundamental um retrato que valorize não só a descrição física, mas também a caracterização psicológica.
           Existem dois tipos de descrição: a objetiva e a subjetiva.

             Descrição Objetiva
 Na descrição objetiva, o autor faz uso de informações concretas, dados precisos, situações que não variam de acordo com o observador. O produtor do texto não coloca sua opinião naquilo que descreve. Um exemplo de descrição objetiva é as informações técnicas sobre um equipamento.

Descrição Subjetiva
A descrição subjetiva se faz pelo olhar daquele que descreve, podendo variar de um observador para outro, pois são percepções pessoais. A linguagem é mais pessoal, na qual são permitidas opiniões, expressões de sentimentos e emoções, em que revelem um “toque” de individualismo por parte de quem a descreve.

Descrição técnica

Por: Aline Suelen

             Entre os textos não-literários, existe um tipo que merece atenção especial: a descrição técnica.
            São características da descrição técnica: descrever o objeto utilizando uma linguagem especifica, precisa e predominantemente denotativa; seu objetivo é esclarecer, instruir.
            A diferença entre o texto meramente informativo, como uma noticia, e a descrição técnica está no fato de essa descrição ter de apresentar necessariamente: maior objetividade, vocabulário extremamente preciso, exatidão de pormenores, ordenação lógica de cada segmento informativo.
            A descrição técnica ocupa-se basicamente de objetos, aparelhos e mecanismos (texto puramente descritivo). Vejamos um exemplo:

“Uma lâmpada florescente é constituída por um tubo de vidro internamente revestido por uma substancia florescente cuja composição exata é um segredo de fabricação das varias empresas. O tubo, fechado hermeticamente, contém vapor de mercúrio e baixa pressão, misturado a um gás (geralmente o argônio), que tem por função facilitar o inicio da descarga; nos extremos do tubo existem dois eletrodos alimentados pela corrente elétrica”.
(“Como funciona” – Folha de São Paulo, março de 1987).

            Como se pôde observar, o autor do texto não registrou suas opiniões, limitando-se a descrever de maneira extremamente objetiva a lâmpada fluorescente. O vocabulário empregado é preciso: os substantivos conceituam cada componente da peça com exatidão cientifica; os adjetivos não expressam qualquer opinião subjetiva, simplesmente denotam as características especificas de cada ser a que se referem. Há uma preocupação em descrever os pormenores de cada componente do objeto descrito. A descrição segue um plano bem definido: o objetivo é descrito de fora para dentro.
            Essas características são importantes quando o texto destina-se a uma revista cientifica, à seção de ciências de um jornal ou quando tem uma finalidade didática.

            Proposta de redação – Descrição técnica
            Solicitou-se de um aluno que fizesse a descrição técnica de um bafômetro, aparelho utilizado para medir e registrar a dosagem de álcool no sangue do motorista. Leia a descrição:

“O bafômetro é um negócio que tem uma válvula por onde o motorista sopra. No trequinho ali onde fica o ar que saiu do pulmão do motorista, tem um pouquinho de uma substancia feita com permanganato de potássio na qual se Poe também umas gotinhas de ácido sulfúrico. Através de uns risquinhos que tem números de um a cinco, pode-se identificar o volume de álcool contido no sangue do motorista, pois o soprão que ele dá lá tem a mesma quantidade de álcool contida no sangue”. (Faraco; Moura; 1991, p. 218)

a)      Esse texto pode ser considerado uma descrição técnica? Por quê?
b)      Vamos refazer o texto? Fornecemos as palavras e expressões que podem substituir elementos inadequados: aparelho, depósito, uma porção, determinada quantidade, escala, ar expelido pelos pulmões.

Carta Argumentativa

Por: Aline Suelen

Carta Argumentativa: gênero textual em que se apresenta uma reclamação, uma solicitação, ou ambas, a uma autoridade ou pessoa responsável.

            As cartas argumentativas devem persuadir, convencer determinado interlocutor. São textos que seguem a estrutura da dissertação, com introdução, argumentação e conclusão, mas com as peculiaridades.
            O que diferencia a carta do texto dissertativo não são apenas as peculiaridades estruturais. Um texto dissertativo dirige-se a um interlocutor universal. Na carta argumentativa, o interlocutor é especifico. Ao produzir uma carta, portanto, é imprescindível o uso da interlocução, ou seja, referir-se ao leitor, se possível uma vez em cada parágrafo. A linguagem usada numa carta argumentativa deve estar de acordo com o grau de intimidade que se tem com o interlocutor.
A forma de tratar o interlocutor vai depender do grau de intimidade existente. A língua portuguesa dispõe dos pronomes de tratamento para estabelecer esse tipo de relação entre interlocutores. O essencial é mostrar respeito pelo interlocutor, seja ele quem for. Na falta de um pronome ou expressão específica para dirigir-se a ele, recorra ao tradicional "senhor" "senhora" ou Vossa Senhoria.

            As cartas argumentativas são muito usadas no nosso cotidiano para solicitarmos algo ou mesmo para fazermos alguma reclamação e, para que você tenha sucesso ao produzi-las, é imprescindível:
·        Identificar a polêmica e quais são os argumentos sobre a questão;
·        Se houver mais de um interlocutor, identificar a postura de cada um e decidir a qual deles, usando bons argumentos, você terá mais condições de convencer.
·        Caso o interlocutor tenha sido previamente determinado, identificar se a postura dele deve ser ratificada ou contestada;
·        Selecionar, dentre os dados da coletânea, aqueles que julgar melhores para sua análise.
·        Buscar outros argumentos de que você disponha e que sejam pertinentes à questão discutida e integrá-los àqueles retirados da coletânea.
Jornais e revistas mantêm seções de cartas dos leitores. Se puder lê-las, observe a maneira de como são construídos os argumentos.


Modelo de Carta Argumentativa.

            Alguns vestibulares apresentam uma proposta de carta argumentativa. Assim, é importante que o vestibulando também aprenda sobre a carta e a exercite.
No cumprimento da proposta em que é exigida uma carta argumentativa, não basta dar ao texto a organização de uma carta, mesmo que a interlocução seja natural e coerentemente mantida; é necessário argumentar. A intenção é freqüentemente a de persuadir um interlocutor específico (convencê-lo do ponto de vista defendido por quem escreve a carta ou demovê-lo do ponto de vista por ele defendido e que o autor da carta considera equivocado).